quinta-feira, 10 de julho de 2008

Redenção Tardia

Acordou mais cedo, tomou café com a pressa de quem nunca mais vai tomar café e saiu. Desejou do fundo da sua alma não retornar mais, aquela vida o cansava incomparavelmente. Andou, parou, deitou, se pegou olhando uma arvore velha e morta. Por que tinha que estar ali? Era exatamente como se sentia, como uma arvore velha e sem vida que esquecera de cair, caprichosamente presa ao chão como uma vela de aniversário presa ao bolo depois do parabéns, torta, suja, sem forma.

Ela nao é real.

Por que tinha que pensar nisso constantemente? Se debatia contra as proprias vontades, a necessidade de esquecer tomará todo o seu presente e a lembrança corroía como ácido. As vezes tinha um sentimento estranho quase infantil. Sentia ser um anjo, alguém acima da cotidiana e mesquinha vida, com algum dote especial, sentia que quando o destino se sentasse a mesa, trataria de guardar uma cadeira ao seu lado direito para ele. Se sentia especialmente único. Mas como pode, anjo com tamanha dor?

O que chamou minha atenção? Doida sim, doida.

Sentia o silêncio gritar em seu peito, tão frágil ser divino? Contradições aparte, o destino era seu inimigo mortal. Travou contra Ele as mais belas guerras, e se tornou um Templário desonrado, como aquele que trava uma batalha e perde sua espada e brasão. Como poderia um anjo, sim um anjo, contra a sua própria razão de existência?

Imaginou o dia que retornaria à casa de plástico, das flores de plástico. Era uma imagem que não queria ter para sí. Arrependeu-se, aceitou a perda divina. Não era um anjo.

As chamas...

Brilhavam em seus olhos, em seu peito, boca e garganta. O consumia hora a hora, a cada segundo sentia seu calor escorrendo entre os dedos. No tempo da excassez, uma árvore consegue viver adaptada. Na excassez extrema uma vida fria nao esquenta novamente. Parou a sombra dos galhos retorcidos da velha árvore morta quando finalmente entendeu, quando finalmente se entendeu.

Acostume-se a sentir, mesmo que não dê em nada. Depois que acostuma-se do contrário, é difícil mudar. Sua alma fria nao esquenta novamente, mesmo que seja de anjo.

Pegou as coisas e voltou pra casa, desistiu, as vezes, preferia não entender.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Flores de Plástico .~

"Então, viva feliz!"

E realmente vivia, ou achava que vivia. As cinco e meia da manhã acordava para se arrumar para o trabalho, que não gostava, lia todos os dias diferentes notícias iguais naquele jornal que pouco lhe agradava enquanto tomava aquele café amargo que sempre detestou. Estando pronto, saía. Dava um beijo na mulher que pensava que amava e entrava no carro, que não era seu.

Ao chegar ao trabalho encontrava os novos velhos amigos que não eram confiáveis mas que, para ele, sempre lhe ajudariam caso precisasse. Sentava naquela cadeira desconfortável em sua sala pequena e calorenta para fazer algo que não queria. Chegando ao ofício, contava os minutos para terminar o expediente, no seu relógio falsificado.

"Hora do almoço!"

A prévia da sua utópica liberdade. Chegava ao restaurante de comida péssima, escolhia a refeição que para ele era mais saudável, apesar de não entender absolutamente nada de nutrição, então ia se sentar na pior cadeira, no pior lugar, ao lado das piores pessoas. Ao se levantar, se dirigia resmungando para a fila do caixa, pagava a conta cara e voltava ao trabalho.

"Seis e trinta!"

Finalmente, liberdade. Saía do escritório, deixava pendências para sua secretária irresponsável e voltava para casa, no estacionamento, dava uma gorjeta para o amigo que gentilmente olhou pelo seu carro. Chegando em casa, dá outro beijo em sua mulher, o tempo que lhe resta é o suficiente para uma ducha fria e ovos com batata. Dorme frio, ao lado de sua mulher, até as cinco e meia novamente...

Na sua casa as flores são de plástico, os móveis de madeira e as paredes brancas sem quadro algum. O sofá que acabara de comprar orgulhoso, está a dispor das traças. A televisão que malmente passava pela porta, está quebrada. Sua mulher, cansada da inércia daquela moradia, foi embora. O aquário vazio agora lhe fazia sentido, sentido algum. Percebeu que morava em uma casa de boneca. Sem vida, sem cores, percebeu que falava em acordes menores. Sua vida era uma canção muda. Seu anjo morreu.

Sua alma.. ..não tinha alma.



quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Vinte Voltas

Ele acordou como quem teve um sonho bom, acordou feliz e pela primeira vez sentiu-se um nada. "Apenas um sonho" é o que pensava, e estava certo. Era o sonho que ele mais desejaria ser real, mas essa realidade não existe.

Para ele, existe um muro que separa o possível do impossível, seu sonho não está num lado muito menos no outro, está exatamente sobre o muro que separa os dois lados. Ele sentiu-se um nada. "Mas afinal, pra que sonhar?". Sonhar para ver tudo o que perdeu, por não ter realizado. De tantas vontades ele abriria mão, MAS ERA UM SONHO !

"Acorde homem! Levante-se! Encontre seu desejo por mais longe que o horizonte pareça estar!" Mas com que cara e coragem? Estava prestes a acreditar em uma alucinação, uma tentativa frustrada de se enganar para acalmar a própria alma.

Mais uma vez tentou durmir, sentia que mais um segundo daquele sonho seria o bastante para ser feliz. Lembrou do momento em que acordou e decidiu não tentar mais.

Queria dar uma volta em torno do Sol, uma não, vinte! Queria fugir dos seus sonhos pra não ter mais que acordar.

Durmiu. E perdido nos seus sonhos, não acordou jamais.


domingo, 30 de setembro de 2007

Da probabilidade à tentativa .

"Nada é impossível". Há controversias. No momento da generalização o argumento se perde. "A Perfeição não existe". Você já chegou lá pra saber?

Co-existencia.

A 1ª lei das proporções. Para toda impossibilidade existe uma respectiva perfeição. Ambos são tão procurados, que a importância dos fins nada mais importam, por tão contraditória que seja. No momento, apenas os meios interessam, pra que atingir a impossibilidade? Não importa mais. O importante é encontra-la.

A 2ª lei das proporções. Para toda perfeição existe uma respectiva impossibilidade. Ambos são tão procurados, que a importância dos fins nada mais importam, por tão contraditória que seja. No momento, apenas os meios interessam, pra que atingir a perfeição? Não importa mais. O importante é encontra-la.

Por tão similares, são quase iguais. Seus significados diferem bastante, porém sua base é a mesma: O inatingível.

Quer algo impossível? Então se esforce ao nível da perfeição.
Analogicamente:
Quer algo perfeito?
O quanto perfeito for, impossível será. Pouco impossível("fácil"), logo, pouco perfeito("insuficiente").

Então chegar a perfeição é impossível?
-Talvez.

Porém prefiro continuar acreditando que ao se conquistar impossibilidade, conquistariamos sim, o momento perfeito.

domingo, 12 de agosto de 2007

.~ apenas interessante ;)

"Misteriosos como eles só, gostam do que é enigmático e que ainda está para ser descoberto. Desse modo, não vá se atirando por cima de um ser de Escorpião, só porque leu em algum lugar que esse signo é ligado à sexualidade. A coisa não é bem assim, ele quer muito mais do que seu corpo: quer nada além de sua alma. Se quer algo mais do que uma noite (o que também é difícil de se conseguir), melhor agir de forma estratégica, o que aliás é o modus operandi dele mesmo. Insinuar, dizer uma coisa com as palavras e outra com o olhar, enviar sinais sutis e desenhar quebra-cabeças e deixar pistas para que os escorpianos o sigam, certamente pode levar a melhores resultados. São uma espécie de detetives, investigadores da alma humana, atraídos pelo raro, pelo secreto, pela essência por detrás das aparências. Nem pense em enganá-los, sua visão de raio x acessa sites inexplorados de você que nem você mesmo sabe a senha..."

Retirado de: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=380017

Nada pessoal, apenas interessante.
Obrigado ;)

sábado, 4 de agosto de 2007

19º Andar

Então deixa-se a sacada e esvai-se no nada, rumo ao chão, sem pensar sobre as consequências, o simples ato de cair livre dos fardos que carrega já compensa todo o esforço da queda.
O eminente momento de lucidez traz consigo uma realidade a qual desejaria mil vezes não ter acontecido(18º). Por um instante eterno, as coisas fazem sentido(17º). Agora não é mais o mundo que gira.(16º) Não é mais tão difícil falar o que há tempos teimava em não dizer.(15º) Nessa abstração do que agora é mais possível do que nunca, descobre então a impossibilidade.(14º)
O erro de ter feito o que fez lhe revela que jamais poderá usufruir das recentes descobertas sobre si mesmo.(13º) Para este momento não há volta.(12º) Seja o que for, deveria ter feito antes, antes de decidir não faze-la(11º). Antes que não houvesse mais volta(10º). Antes que derrubasse a sua única ponte de volta(9º).

"Agora não tem mais volta!", pensou, e estava certo.(8º)

"Quero uma segunda chance!", gritou alucinado(7º), e quem não quer? Quem não quer voltar e fazer do jeito certo? O desespero o consumia, queria aproveitar aquela queda como se nunca tivesse vivido. Como se ao mínimo uma vez tivesse se sentido vivo.
Seu coração gelou(6º). Seu sangue ferveu(5º) Sua alma gritou e sua vida... bem... sua vida continuava intacta, ainda faltavam alguns metros do chão...(4º).
Pensou em tudo que fez, e principalmente em tudo que não fez. Pensou no que poderia ter mudado. Pensou por que não fez tudo que quis, julgou bobagem os motivos. Agora sufocado pela própria existência(3º) aceitou seu fim, desistiu de gritar.(2º)
"se eu tivesse outra chance...", murmurou sozinho.

1º Andar: entra em colapso, em uma fração de segundo todos os rostos conhecidos lhe vêm a memória. A ultima coisa na vida, pelo menos do que ainda sobrava dela, que ele decidira não fazer outra vez seria se atirar do 19º andar, afinal, não poderia perder todas as oportunidades mais uma vez. A poucos metros do chão descobre que julgou errado quando pensou ser feliz. A alguns segundos de encostar seu nariz no chão arrepende-se, juraria não mais fazer tudo que fez, aliás, tudo que não fez. Juraria pensar menos. Se alguém lhe machucasse, esconderia a ferida e voltaria para a guerra. Ergueria a cabeça quando falhasse, pois tentar já teria sido o melhor prêmio.

Provaria para si mesmo todos os dias que é capaz de qualquer coisa...

..."como aproveitar uma queda do 19º andar."

Reflita, obrigado.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Meu avô sempre dizia: "Quer conquistar uma mulher? Então faça ela rir!" (só que ele esqueceu de dizer:"Mas não faça demais, senão ela vai pensar que você é palhaço assim mesmo."¬¬)

Sim sim, por que não se vê além do que olhos podem enxergar, e por que o que há por vir não está em cartões postais. "O essencial é invisível aos olhos" depende muito do observador, já que olhos são janelas e cartões postais não pré-dizem, pós-dizem. O muito pouco que se enxerga são traços finos de uma realidade ilusória, banhada de máscaras e segredos, por que há de se convir que máscaras são ótimos refúgios ;). Mudar não é deixar de ser o mesmo, é apenas... mudar! A essência é o que faz cada ser ser um um. É o que transforma o substantivo em verbo, o artigo em numeral. É o que salva e o que prende. O que cativa, ou não.

Apesar de poucas palavras, já que muito não cabe em letras, digo que para entender completamente um sentido se faz necessário mais que palavras, precisa-se de olhares e gostos.

Assim sendo(ou não), concluo que... Meu avô estava certo!

Como sou analfabeto para letras, finalizo com quem as entende melhor, obrigado.

:)