Acordou mais cedo, tomou café com a pressa de quem nunca mais vai tomar café e saiu. Desejou do fundo da sua alma não retornar mais, aquela vida o cansava incomparavelmente. Andou, parou, deitou, se pegou olhando uma arvore velha e morta. Por que tinha que estar ali? Era exatamente como se sentia, como uma arvore velha e sem vida que esquecera de cair, caprichosamente presa ao chão como uma vela de aniversário presa ao bolo depois do parabéns, torta, suja, sem forma.
Ela nao é real.
Por que tinha que pensar nisso constantemente? Se debatia contra as proprias vontades, a necessidade de esquecer tomará todo o seu presente e a lembrança corroía como ácido. As vezes tinha um sentimento estranho quase infantil. Sentia ser um anjo, alguém acima da cotidiana e mesquinha vida, com algum dote especial, sentia que quando o destino se sentasse a mesa, trataria de guardar uma cadeira ao seu lado direito para ele. Se sentia especialmente único. Mas como pode, anjo com tamanha dor?
O que chamou minha atenção? Doida sim, doida.
Sentia o silêncio gritar em seu peito, tão frágil ser divino? Contradições aparte, o destino era seu inimigo mortal. Travou contra Ele as mais belas guerras, e se tornou um Templário desonrado, como aquele que trava uma batalha e perde sua espada e brasão. Como poderia um anjo, sim um anjo, contra a sua própria razão de existência?
Imaginou o dia que retornaria à casa de plástico, das flores de plástico. Era uma imagem que não queria ter para sí. Arrependeu-se, aceitou a perda divina. Não era um anjo.
Imaginou o dia que retornaria à casa de plástico, das flores de plástico. Era uma imagem que não queria ter para sí. Arrependeu-se, aceitou a perda divina. Não era um anjo.
As chamas...
Brilhavam em seus olhos, em seu peito, boca e garganta. O consumia hora a hora, a cada segundo sentia seu calor escorrendo entre os dedos. No tempo da excassez, uma árvore consegue viver adaptada. Na excassez extrema uma vida fria nao esquenta novamente. Parou a sombra dos galhos retorcidos da velha árvore morta quando finalmente entendeu, quando finalmente se entendeu.
Acostume-se a sentir, mesmo que não dê em nada. Depois que acostuma-se do contrário, é difícil mudar. Sua alma fria nao esquenta novamente, mesmo que seja de anjo.
Pegou as coisas e voltou pra casa, desistiu, as vezes, preferia não entender.
Acostume-se a sentir, mesmo que não dê em nada. Depois que acostuma-se do contrário, é difícil mudar. Sua alma fria nao esquenta novamente, mesmo que seja de anjo.
Pegou as coisas e voltou pra casa, desistiu, as vezes, preferia não entender.